Crisálida: Editora Adonis lança livro de Raquel Alves

Filha do célebre educador Rubem Alves, Raquel estreia na literatura infantil com livro sobre transformação

Ela cresceu com seu pai, o escritor e educador Rubem Alves, contando e escrevendo histórias para ela. De inspiração e ouvinte, agora Raquel Alves é escritora e estreia na literatura infantil com um livro que trata de coragem e transformação. Setembro, estação das flores, traz Crisálida, a cigarra que gostava de primavera para o catálogo Adonis.

Crisálida, a cigarra que gostava de primavera apresenta ao leitor a história de uma cigarra que, assim como todas as outras, vivia debaixo da terra até o dia em que ela sobe no tronco de uma árvore e descobre que o mundo lá fora, em torno do sol, é muito mais bonito.

A obra foi concluída em 2015, mas a vontade de escrever vem de longa data, herança, é claro, de casa. “Quando eu era criança, eu brincava que seria escritora e que meu pai escreveria a introdução do meu livro. Fui crescendo e me desliguei disso. Quando meu pai faleceu, em 2014, essa vontade de escrever voltou. Diante de situações que me doíam, eu escrevia. Acho que é a tal da ostra que está incomodada”, confessa Raquel, fazendo referência à obra de Rubem Alves Ostra feliz não faz pérola. O livro fala que o ato criador surge sempre de uma dor.

Raquel dedicou seu primeiro livro, Crisálida, ao pai, que dedicou muitas de suas histórias a ela. O nascimento da caçula, quando Rubem tinha 42 anos, marcou a ruptura com o texto acadêmico e o início da produção de suas sete primeiras histórias infantis, ou seja, Raquel marcou a transformação da forma de escrever do pai, que passou a se dedicar àquilo que dizia respeito ao coração.

Crisálida, a cigarra que gostava de primavera também fala sobre transformação, principalmente sobre beleza interior, sobre a primavera que floresce dentro da gente. “O Crisálida é para criança pequena e criança grande. Ele fala de coragem, de inovação, de sensibilidade…”, conta Raquel.

Crisálida é o nome da personagem do livro de Raquel, mas é também o estágio de pupa de insetos; o termo é usado na área da Zoologia referindo-se ao estado anterior à etapa adulta que apresentam os insetos que realizam uma metamorfose completa.

O livro conta com ilustrações do Studio Carol Juste e tem 20 páginas, no formato 20×25 cm.

Nova edição do livro Como nasceu a alegria
Dedicado a Raquel, o livro Como nasceu a alegria foi publicado por Rubem Alves em 1984. A história de uma flor que ao nascer cortou uma de suas pétalas em um espinho serviu para ajudar a filha caçula, que nasceu com lábio leporino, a lidar com a dor dos olhares e das perguntas que as outras pessoas faziam para ela. No livro, Florinha convivia muito bem com sua pétala rachada até o momento de receber os olhares e os comentários das demais flores, o que lhe causava grande sofrimento.
O livro faz parte da série de livros de Rubem Alves que voltam para as estantes em nova edição, com ilustrações da neta do escritor, Bruna Pellegrina.

Sobre Raquel Alves
Raquel Alves é graduada e pós-graduada em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas. Atuou por 15 anos como arquiteta paisagista e acredita que, mesmo que isso nunca tenha sido sugerido, se especializou em jardins pelo amor que seu pai tinha por eles, amor esse que lhe foi transferido desde muito cedo. Depois do falecimento dele, começou a dedicar-se integralmente ao cargo de presidente do Instituto Rubem Alves, com o intuito de disseminar e eternizar o legado do pai. “Aprendi com meu pai que, escrevendo para crianças, podemos melhorar a vida delas, pois, por meio do mundo da fantasia, podemos falar sobre seus medos, essências e virtudes, sem apontar diretamente para elas”, diz Raquel.

Programação de lançamentos
Dia 10, às 10h, no quiosque Adonis (Leitura com Pipoca)
Av. Brasil, 2525 – Parque Ecológico de Americana

Dia 15, às 19h30, na Livraria Cultura (com palestra)
Av. Iguatemi, 777 – Vila Brandina – Campinas

Dia 21, às 20h, no Instituto Rubem Alves (sarau)
R. José Antônio Pinto Borges, 48 – Jd. Chapadão – Campinas

Saiba mais sobre

Só há uma coisa que nos deixa mais felizes do que ajudar um livro a nascer. É fazer com que ele chegue a quem inspira o nosso jeito de ser e de fazer literatura. Desde que seja criança, nada mais importa: pode ser na idade, na alma, no coração... Mas tem que ser, de alguma forma, criança! Porque nossa literatura é movida pela pergunta curiosa que só ela é capaz de fazer. Pela entrega que só ela é capaz de oferecer. E, principalmente, pelo gesto de agradecimento, muitas vezes singelo, feito apenas com um olhar, por permitir que ela também faça parte das nossas histórias. É essa receptividade que nos move. É isso tudo que nos faz ajudar um livro a nascer. Fazemos literatura porque gostamos de fazer parte desse grandioso universo mágico de onde nascem as histórias. E de tudo o que esse mundo nos permite. Tudo! Fazemos livros para quem gosta de histórias e para que, cada vez mais, as crianças (na idade, na alma, no coração...) gostem de ler.

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